terça-feira, 10 de novembro de 2015

Heróis em ação e Superamigos

      Olá a todos que acompanham o blog, sejam bem vindos a mais uma postagem. Hoje irei falar de duas revistas que marcaram uma geração de leitores de HQs e que foram as primeiras revistas Mix da DC na Abril, estou falando de Heróis em Ação e Superamigos.
     No ano de 1984, após anos na EBAL, os personagens da DC foram para uma nova editora, no caso a editora ABRIL, na época ela lançou apenas três revistas: Super-Homem, Batman e Heróis em Ação.

o início da DC na editora ABRIL

HERÓIS EM AÇÃO

   Heróis em Ação era uma revista mix nos moldes de Heróis da TV, que publicava diversos títulos  da Marvel em uma só revista, no caso da versão da DC foram apresentados os seguintes personagens: Superboy, Supergirl, Sr.Destino, Arqueiro Verde, Jonah Hex, Sociedade da Justiça, o Guerreiro, Esquadrão Atari e o carro chefe de heróis em ação:Os Novos Titãs de Marv Wofman e George Pérez, ou seja, era um mix só com coisas bacanas.



apesar da vida curta, foi uma revista de respeito

    Porém Heróis em Ação teve vida curta, durando apenas 10 edições, em uma mudança inexplicável a editora Abril, cancelou a revista juntamente com a revista do Batman, porém a frustração dos fãs durou pouco, pois as duas foram unidas em uma só publicação chamada Superamigos.

SUPERAMIGOS

     Nascida da união das duas revistas canceladas e pegando o nome do desenho animado que fazia sucesso na época, Superamigos se destacava das demais publicações: tinha 134 páginas, lombada quadrada e de 5 a 7 histórias por edição. Em seus primeiros números ela poderia ser comparada a Superaventuras Marvel, tamanha a qualidade de suas histórias. Devido a sua longa duração a revista Superamigos pode ser dividida em fases:

Fase 1 (do número 1 até o número 10)

   A era de ouro da revista, tudo aqui era perfeito graças ao mix: a conclusão de Camelot 3000, o Guerreiro de Mike Grell, os Novos Titãs de Marv Wolfman e George Pérez, Arqueiro Verde/Lanterna Verde de Danny O'Neil, Esquadrão Atari e o Batman de Marshal Rogers, somente histórias clássicas e perfeitas; Arrisco a dizer que nunca mais houve uma revista mix da DC com essa qualidade na Abril.

   




um mix mais que perfeito

fase 2 (do número 11 até o número 26)

    A revista continuava excelente, mas aqui as coisas começaram a ficar preocupantes, os Novos Titãs saíram na edição 10 para terem suas histórias publicadas em uma nova revista própria, mas no número 11 começaram as histórias da Liga da Justiça que deram um novo fôlego a superamigos, porém na edição 13 o número de páginas foi reduzido para 84, a partir da edição 17 a revista perdeu a lombada quadrada, os Renegados estrearam na edição 21 em que ocorreu um dos erros mais bizarros da Abril: ela trocou as capas dos números 21 e 22. Pena que o grupo teve apenas seu primeiro arco publicado em umas das várias burradas editoriais que afundaram o título, a saga Crise nas Infinitas Terras teve capítulos publicados entre os números 24 a 26, dando uma sobre vida ao titulo, porém  Batman saiu no número 26 para ter sua segunda revista própria e as coisas afundaram de vez.





apesar dos erros ainda foi uma fase memorável 

fase 3 (do número 27 até o número 44)

    Aqui foi a fase decadente de superamigos, um dos maiores erros foi ter deixado como carro chefe da revista o Lanterna Verde, que na época tinha histórias mais sem graças que água de salsicha. O mix ficou uma coisa de louco pra tentar salvar a publicação: Corporação Infinito, Legião dos Super-Heróis, Etrigan, Monstro do Pantâno de Alan Moore, Nuclear, o Vigilante, Desafiador, Aquaman, nada dava certo, tentaram até colocar histórias do Super-Homem para dar um gás, mas não deu. Os últimos números contaram com histórias do Nuclear e o fim da Liga da Justiça Detroit durante a saga Lendas, o pior é que a Abril não publicou a saga que mostrava a nova formação da Liga (dos números 228 a 230 e anual 2).






a fase decadente foi a mais demorada 

    O último e melancólico número contava com uma história do Esquadrão Suicida e uma carta de despedida absurda que a própria ABRIL admitia que havia sabotado a revista, que ela seria cancelada para dar lugar a nova revista da Liga da Justiça, foi um triste fim para uma revista que deu muitas alegrias para os decenautas.

a melancólica carta de despedida 

      Dia desses passando em um sebo achei um pacote quase completo com 38 edições de Superamigos por um preço irrisório, peguei na hora. Espero que tenham gostado da postagem, se tiverem a oportunidade corram atrás desses dois títulos. Até a próxima pessoal.





sábado, 7 de novembro de 2015

Drácula: A sombra da noite,um clássico esquecido dos quadrinhos nacionais

    Olá a todos que acompanham o blog,sejam bem vindos a mais uma postagem,hoje irei falar sobre uma obra prima dos quadrinhos nacionais mas que infelizmente pouca gente conhece:Drácula:A sombra da noite.


um clássico esquecido

  A história foi produzida por Ataíde Braz e Neide Harue durante a década de 1980, em forma de uma minissérie de 5 partes,meu primeiro contato com essa obra foi por volta de 1991,eu passava os finais de semana na casa do meu avô e aos domingos, ele ia na feira onde eu sempre parava na "banca de revistinhas usadas",como eu chamava o camelô que vendia HQs na feira, eu já comprava revistas do Drácula da bloch editores,mas naquele domingo eu comprei uma revista diferente do rei dos vampiros:era em preto e branco, com um conde mais novo,bonito,elegante, intempestivo,sedutor e sem nenhum pingo de violência,isso me deixou bastante curioso,na verdade era a continuação da série original chamada:Drácula:um vampiro no Ragtime,mas estou me adiantando,vamos conhecer primeiro a série original.



a série original

   Lançada no ano de 1985 pela editora NOVA SAMPA Drácula:A sombra da noite recontava a obra de Bram Stoker,mas por um olhar romântico e com um traço idêntico ao mangá, ou seja pode-se dizer que foi o primeiro mangá brasileiro,muito antes da chegada de lobo solitário e Akira,os primeiros mangás a fazerem sucesso no Brasil. 

mangá no Brasil? sim!

    O primeiro número da série é uma espécie de prequel da história,onde o conde encurrala um padre medroso em uma igreja abandonada,diferente do resto da série,aqui temos o típico conto de vampiro, com direito a cruz,caninos pontiagudos e tudo mais.Na verdade,segundo o autor ele abriu essa exceção para que a série fosse publicada.  

aqui temos o típico conde Drácula

   Os outros números seguem o romance original,porém aqui cada personagem tem uma personalidade bem distinta da obra literária:Jonathan é inseguro,Arthur é um covarde insuportável,Lucy é parecida com a esposa falecida do conde ,Van Helsing continua o bom e velho caçador de vampiros e chegamos a cereja da obra:Mina Harker,ela possui um cabelo curto,corajosa,temperamento genioso,bem diferente das mulheres do século XIX,em seu primeiro encontro com o conde ela debocha do visual dele.

a bela e destemida Mina

   No decorrer da série,Drácula se apaixona por Mina e a história ganha contornos de romance,com lindas cenas de amor entre os dois, que fazem com que os leitores e principalmente as leitoras torçam pelo casal.

o romance que cativou as leitoras

   Enquanto isso,a história segue a obra de Stoker como:a transformação de Lucy em vampira, a chegada de Van Helsing,a formação do grupo de caçadores de vampiros e a perseguição ao conde.

a história também segue o original

    Infelizmente para os fãs do casal,no final o conde Drácula é encurralado em seu castelo sendo morto junto com sua amada.

a morte de Drácula

    Mas porque pouca gente conhece Drácula:A sombra da noite? infelizmente a série foi lançada durante o plano cruzado do Governo Sarney,isso acabou prejudicando a distribuição,devido a isso o tempo entre uma edição e outra  era muito grande por causa da crise econômica,além disso histórias de vampiros não geravam interesse na época,agora imaginem uma história romântica com vampiros  décadas antes de Crepúsculo,em estilo mangá em um tempo que ninguém sabia o que era isso?
   Apesar de todos os problemas, a série fez um relativo sucesso que deu origem a uma continuação chamada Drácula: Um vampiro no Ragtime que foi a revista que eu comprei na feira.

a revista que me surpreendeu.

   Nessa continuação o conde ressuscitava na década de 1920,conhecia a francesa Anne e partiria em busca do corpo de Mina, infelizmente a edição foi lançada durante o período do plano Collor que sepultou  sua continuação.

Drácula nos anos 20

    Hoje em dia é quase impossível encontrar a minissérie original,por outro lado é um pouco mais fácil de achar a edição encadernada que vira e mexe aparece no mercado livre,eu mesmo comprei a minha por R$40,00.Por isso encarne o caçador de vampiros e procure esse encadernado,vale muito a pena. 

o encadernado com a série completa

  Espero que tenham gostado dessa dica e tenham conhecido um pouco mais dessa obra prima dos quadrinhos nacionais que é pouco conhecida pela grande maioria,até a próxima!